terça-feira, 28 de fevereiro de 2012






















O LIVRO

Abraça-me...
Sei que acarinho a tua solidão,
As palavras lidas em horas calmas,
aceleraram o pulsar do coração,
ou apaziguam as nossas almas.

Abraça-me...
Ainda que não saibas quem eu sou,
e eu de ti, nada venha a saber.
A fantasia  que criei quase me matou, 
nas páginas do livro que estás a ler.

Abraça-me...
Acreditando que no mais íntimo segredo,
te faça entristecer ou ponha a sorrir.
Posso ser porto de abrigo ou até degredo,
mas as emoções que provoco, são a fingir.

Abraça-me...
Escuta em silêncio este espírito criador. 
Encanta-me este encontro na leitura,
imprimi neste livro tanto amor
para vivermos juntos uma aventura.

Abraça-me...
Se gostares guarda-me na memória,
não em qualquer velha prateleira
Eu prometo manter intacta a estória,
que te pode alegrar a vida inteira 
.
MARIA DE FÁTIMA GOUVEIA















NÃO SOU POETA

Tenho pena de não ter nascido poeta,
gostava de o ser, dentro e fora da minha alma,
para cantar com arte esta dor que não acalma.
Gostaria de saber entrelaçar palavras com flores,
ou pintar cenas coloridas nas paredes da vida.
Gostaria de pegar em lágrimas e agarrar sorrisos
e deles fazer poemas tão docemente corrosivos,    
que o chamar dor à  dor fosse uma  heresia,
sendo ela o engenho da mais bela  poesia!

Maria de Fátima Gouveia

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

  

 NÃO TE AMO!

Ainda que…
Veja na transparência serena do azul do mar…
teu olhar, e  no raiar da manhã a frescura da tua boca,
e louca  me perca em silêncios vazios no desejo,
de um beijo igual ao roubado naquela tarde de Verão…
Não te amo, não!

Ainda que…
O meu corpo seja como areia que no mar se some,
galopando nas águas revoltas  ao sabor das marés.
És cruel como os rochedos agrestes em que me atiro,   
prefiro morrer submersa na onda desta indignação. 
Não te amo, não!

Ainda que…
As noites frias sejam passadas em dor feito prazer,
vivendo na loucura mais louca que de mim me afasta.
Nefasta ventura em que me fizeste de ti cativa,
viva agora presa como ave cantando a solidão….
Não te amo, não!

Ainda que…
Ouça o vento gritar por ti, varrendo furioso a rua
e a chuva pronunciar teu nome no pingar dos beirais.
Os ais… Esses soltam-se de mim como voo de pardais.
Sinais  de tempestade, nestes sentires em turbilhão…
Não te amo, não!

Ainda que…
Me perca vagueando em pensamentos de morte...
Igual sorte te desejo! Quero que sintas a dor e o mel,
cruel encanto que  empresta doçura a este padecer,
de ser e não ser aquilo que sou, perturbada da razão...
Não te amo, não!

Ainda que sejas…
O perfume das flores que piso no jardim da saudade.
O sonho, o ar que respiro, a mentira, a verdade.
O que desejo, o que rejeito, o presente, a eternidade.
Tudo o que quero e o que não quero… A ambiguidade...
Não!
Não te amo, não!

MARIA DE FÁTIMA GOUVEIA





quinta-feira, 19 de maio de 2011


AMOR PERDIDO

Com o teu olhar me prendeste
Desprendido…tão distante.
Sorriste-me….me ofendeste,
apanhada nesse instante

Com as tuas palavras me prendeste
Com quem nada quer…confiante.
Pouco ou mesmo nada prometeste,
desfrutando o desatino desta amante

Com fios de vaidade me prendeste.
Com muita mágoa desatei os nós,
soltando as águas do meu pranto,
num rio que nunca chegou à foz.

Estranho amor, esse teu…
Que deixou morrer o meu,
na vaidade de o ostentar.

Agora amigo …que vejo eu?
O tempo entre nós se meteu.
Chovem lágrimas do teu olhar…

M. Fátima Gouveia

O Voo da Garça
(Sujeito a direitos de autor)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010






















FOME CALADA

A fome anda nas ruas,
da tristeza faz companhia.
A esperança perde a força ,
o sonho morre sem poesia.
Cresce-nos o desejo no pranto.
A revolta estende seu manto,
despertando do desalento,
que mergulhámos todos nós,
até a raiva erguer a voz!


A voz do povo que sente,
esta agonia crescente,
que estrangula a nação.
Se agiganta o fantasma,
de uma nova revolução.
Podem calar a palavra!
Podem ignorar a poesia!
Podem esconder a verdade!
Podem usar de heresia!
Até a repressão de novo,
Mas não matam a vontade,
quando esta nascer do povo!

M. Fátima Gouveia
O voo da Garça
(suj. a direitos de autor)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

























ESSES AMORES...
Esta noite lembrei o sabor dos beijos,
navegando contigo em secretos desejos, 
 acorrentados à memória do passado.
Lembrar amores antigos desgovernados,
é como desfolhar rosas, matar sonhos...
Nosso espírito volteia no tempo e na ilusão,
transformando doces quimeras em paixão.
Um sentimento que corrói o nosso direito,
 a voltar a sentir outra emoção igual.
Porque a metamorfose dessa doce mentira,
nessa excitante verdade…
Nos faz cativos dela para a eternidade.

M. Fátima Gouveia

O voo da garça
(suj. direitos de autor)
M.Fátima Gouveia

domingo, 5 de setembro de 2010

FRAGMENTAÇÃO

















Esta dualidade que me perturba o ser
Que me sufoca no cenário negro
duma consciência desapertada

Esta dualidade que me ceifa a alma
Na exiguidade imperceptível do sentir
uma navalha invisível cortar-me em dois

Esta dualidade que brota em mim
Quando o vórtice emerge sanguíneo
Na revolta de ser o que não consinto
ninguém mais ver.

O voo da Garça
(Suj. a direitos de autor)
M.Fátima Gouveia